Hoje em dia são poucos os produtos artesanais comercializados na freguesia de Abrã, apenas um sapateiro, um escultor de pedra, um de madeira e uma pintora têm dado continuidade a este factor cultural. No entanto, no passado da freguesia, o artesanato abrangia diversos domínios, tudo era feito artesanalmente. Destacavam-se os trabalhos de olaria, de trapologia, de cestaria, de ferraria, e as peças em cortiça, em pedra, as rendas e os bordados e o calçado.
No que respeita à olaria, esta foi desde há muitos anos desenvolvida na região, pois o barro vermelho é uma matéria prima que abunda nestes solos. Começou por ser trabalhado à mão, passando depois a ser por animais (bois) e actualmente é trabalhado por máquinas, o que veio originar a indústria cerâmica. Mas também foi trabalhado por oleiros, havendo um no lugar de Amiais de Cima que fazia vários utensílios domésticos como infusas (recipientes para guardar água e mantê-la fresca), potes, jarros e outros. Também em Amiais de Cima chegou a haver uma fábrica de louça de barro vermelho que depois era vidrado.
Na freguesia, em virtude de existirem muitos vimeiros nas margens dos ribeiros, também a cestaria exerceu um importante papel. A partir dos vimeiros faziam-se cestos e outros objectos em verga que geralmente eram usados na agricultura e também no transporte de vários objectos. Ainda hoje existe na freguesia quem saiba trabalhar o vime, no entanto já não se faz nenhum artigo. Outros utensílios eram feitos em cortiça, matéria que abundava na freguesia devido à existência de muitos sobreiros. Faziam-se colmeias ou cortiços para as abelhas fazerem o mel, bancos e rolhas. os ferreiros que aqui habitavam faziam as alfaias agrícolas utilizadas no trabalho do campo, como as enxadas, os ancinhos, os machados, as foices e as gadanhas.
As mulheres dedicavam-se especialmente à trapologia, fazendo mantas de retalhos e tapetes em teares manuais, e às rendas e bordados. Era desta forma que faziam tudo o que era necessário para uso doméstico e vestuário.
No início do século XX, uma vez que as indústrias não eram tão desenvolvidas, as pessoas recorriam aos sapateiros para comprarem o calçado. Ainda hoje, em Amiais de Cima, existe um sapateiro, o Sr. Arnaldo que faz à mão botas e sapatos em pele de vitela.